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Tópico: Tópico Oficial Sobre Astronomia

  1. #661
    The All Seeing Eye Avatar de S.Templar
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    Fly me To The Moon…

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    Postado Por Carlos Cardoso em 22 06 2017 em Brasil, Engenharia, Espaço

    É seguro dizer que mais gente no mundo usa e se beneficia de satélites do que de banheiros. O agricultor no interior da Índia que mora numa cabana feita de esterco usa seu celular para consultar serviços de meteorologia e saber quando antecipar a colheita para evitar a chegada das monções. Parte dessa informação se original de satélites meteorológicos e toda ela passa por satélites de comunicação geoestacionários.

    Eles ficam em um cinturão a 36.500 km de altitude, chamado Órbita de Clarke em homenagem a Arthur C. Clarke que calculou sua posição e de quebra inventou o conceito de satélite artificial em 1945.
    O que há de especial nessa altitude? Simples. Quanto mais alto o satélite, mais lenta sua velocidade. A pouco mais de 400 km de altitude, a Estação Espacial percorre sua órbita dando a volta ao mundo em 80 minutos (chupa Júlio Verne), voando (a rigor, caindo) a 28 mil km/h. Um satélte a 36.500 km leva muito mais tempo, mais precisamente ele dá a volta ao mundo em 24 horas.
    24 horas é também o mesmo tempo que o planeta leva para girar em torno do próprio eixo. Ou seja: um satélite na órbita de Clarke fica parado em relação a um ponto fixo na superfície da Terra. Podemos saber com precisão onde ele está, apontar uma antena e salvo algo muito ruim, ele permanecerá lá. Isso é um fato, pergunte pra uma antena da SKY.

    Na imagem acima, a órbita geoestacionária. À direita, em escala, a Lua.
    Mandar o satélite até lá não é tão simples, como descobrimos no dia 25 de dezembro de 1997. Um defeito no último estágio do foguete Proton russo impediu que o lançamento fosse bem-sucedido. Em vez de uma sucessiva série de acionamentos do motor colocarem o AsiaSat-3 em uma órbita equatorial a 36.500 km de altitude, ele acabou em uma órbita altamente elíptica inclinada 51 graus, com apogeu de 36.000 km e perigeu de 203 km.
    Dado como perdido, dinheiro do seguro pago, o satélite trocou de mãos várias vezes, até chegar na Hughes Global Services, o fabricante original. A um custo de US$ 100 milhões, qualquer tentativa para salvar o AsiaSat-3 (agora chamado HGS-1) era válida. Só que para isso era preciso pensar fora da caixa. 380 mil km fora da caixa, indo aonde nenhum satélite comercial jamais esteve.
    Os engenheiros da Hughes propuseram usar a Lua para corrigir a altitude e a inclinação do satélite. Isso era absurdamente fora dos parâmetros e especificações do projeto. Ele iria enfrentar temperatura, radiação e stress muito além do que seus criadores sonharam.
    Depois de muita consideração o plano foi aprovado, e aí acabou a parte fácil. Até hoje só missões governamentais chegaram na Lua, e a taxa de fracasso é de 50%. O HGS-1 havia sido projetado para ficar em sua órbita, alegre e feliz e obedecer a comandos de terra. Não tinha autonomia para navegar, corrigir trajetória, nada. Também não tinha como se comunicar a mais de 10x a distância para a qual seus rádios estavam ajustados.
    Ele iria enfrentar calor do Sol e frio do espaço, seria preciso calcular uma rotação constante, colocando o satélite como um frango de padaria (as Apollo usavam a mesma técnica). Sua posição precisaria ser medida com lasers, radares, desvio Doppler e outros métodos.
    O combustível era o fator principal. As manobras de elevação de órbita deveriam ser feitas quando o satélite estivesse entre a Terra e a Lua, para que a gravidade lunar o puxasse e ele economizasse propelente.
    Todo o projeto foi semi-oficial, os envolvidos trabalharam como voluntários, até produzir uma proposta irrecusável.
    Problemas se acumulavam. As manobras precisavam compensar a perda de peso devido ao combustível consumido. Cada vez que uma solução era calculada ela se tornava inválida quando o HGS-1 terminava mais leve. Tudo precisava ser levado em conta, incluindo sobrar combustível suficiente para o satélite ter uma vida operacional ao final.
    Foi montado um dream team de especialistas, gente de vários lugares do mundo incluindo Mery Pinheiro, uma brasileira que nunca ouviu que mulheres dirigem mal, e se tornou uma das maiores especialistas do mundo em manobra e orientação de satélites. Ela foi chamada como consultora e voou do Brasil para os EUA, e nas palavras do chefe do projeto, “ajudou a tornar a missão possível”.
    Mery já tinha experiência com problemas cabeludos. Em 1984 ela participou da recuperação dos satélites Westar4/PalapaB2, que também tiveram problemas no lançamento e precisaram de meses e 600 manobras cuidadosamente sincronizadas até atingirem uma órbita estável, seguida de um resgate inédito pelo ônibus espacial.
    Foi preciso executar 13 manobras diferentes para injetar o HGS-1 em trajetória translunar. Motores que foram projetados para pequenos acionamentos algumas vezes por ano queimavam por minutos a fio, sistemas de estabilização lidavam com forças estranhas, sinais de comunicação flutuavam, mas deu certo.

    10 de abril de 1998 a comunidade internacional de rastreadores de satélite percebeu que algo de muito errado estava acontecendo com o AsiaSat-3. Pressionada a Hughes admitiu e o mundo soube que pela primeira vez na História uma sonda comercial iria sobrevoar a Lua.
    No dia 13 de maio, seguindo as manobras precisas de Mery Pinheiro e a trajetória calculada por um bando de engenheiros ousados o HGS-1 passou a 6.200 km de distância da Lua, sua gravidade puxando e distorcendo a órbita do satélite de 3,4 toneladas. O efeito de estilingue roubou velocidade angular da Lua, acelerou o HGS-1 e agora seu perigeu não era mais de algumas centenas de km, era próximo dos 36.500 km desejados.
    Nesse momento o pessoal da Hughes mostrou que era ambicioso. O HGS-1 seguiu sua órbita, voltando para a Terra, mas não estavam satisfeitos. Foi feita uma manobra para que ele se posicionasse para um segundosobrevôo lunar. Dessa ver a 34.300 km de altitude. Esse segundo sobrevôo foi feito de forma que a Lua puxasse o HGS-1 para uma inclinação oposta à sua. A órbita que começou com 51 graus terminou com 8.
    Voltando para a Terra, quando o satélite se aproximando do perigeu foi a hora de pisar no freio. Direcionando os motores foram acionados ao máximo, queimando boa parte do combustível restante, mas ao final o HGS-1 estava salvo em órbita geoestacionária. Era 16 de junho de 1998 e a primeira missão comercial à Lua havia sido um sucesso.
    Um ano depois o HGS-1 foi vendido para a PanAmSat, rebatizado de PAS-22 e funcionou até 2002, quando seu combustível atingiu níveis perigosamente baixos e ele foi descomissionado, sendo transferido para uma órbita-cemitério.
    O salvamento do HGS-1 foi mais um dos exemplos de como humanos podem ser magníficos quando decidem trabalhar juntos e não têm medo de ousar. A única parte triste é que um monte de gente sabe que nosso programa espacial tem um datilógrafo, mas quase ninguém conhece Mery Pinheiro, a brasileira que ajudou a mandar um satélite pra Lua e trouxe ele de volta.

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  2. #662
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    Nem Trump conseguiu negar a existência das mudanças climáticas, diz físico do IPCC

    POR SALVADOR NOGUEIRA
    De questão discutível, a contestação das mudanças climáticas se tornou puro negacionismo ao longo da última década. A afirmação é de Paulo Artaxo, físico da Universidade de São Paulo e membro do IPCC, o Painel Intergovernamental para Mudança Climática da ONU. “A ciência prevaleceu.”
    “Veja que interessante: mesmo o presidente Trump, no discurso em que anunciou a saída do acordo de Paris, ele não anunciou a saída porque ele ‘não acredita’, entre aspas, no efeito estufa etc. e tal. Não. Ele aceitou que existem as mudanças climáticas, ele aceitou a necessidade de fazer redução de emissão de gases de efeito estufa, ele só acha que a maneira como foi negociado o Acordo de Paris é prejudicial aos interesses americanos. Isso é muito importante observar”, disse Artaxo ao Mensageiro Sideral.
    Antes de se tornar presidente, Trump havia chegado a dizer que o aquecimento global era uma fraude perpetrada pelos chineses — ignorando (ou talvez optando por ignorar) que a imensa maioria das evidências das mudanças do clima terrestre vêm de estudos da Nasa, a agência espacial americana.
    Artaxo diz que quaisquer disputas científicas remanescentes sobre a realidade e as causas das mudanças climáticas sumiram completamente de vista nos últimos anos, tanto no Brasil como no exterior. “Essas questões foram ao longo dos últimos 10 anos fomentadas principalmente pelos chamados negacionistas, que aí, entre aspas, “não acreditavam” na questão do efeito estufa”, diz o pesquisador.
    “Agora, não é questão de acreditar ou não acreditar, porque ciência não é religião, a gente não acredita ou desacredita em fatos científicos. Você observa a ciência e as evidências científicas e faz seu julgamento em cima disso — nada a ver com a questão da crença religiosa. Então não existe mais essa questão de acreditar ou não acreditar.”
    Para o cientista, as negociações e os estudos entram numa nova etapa. “A questão agora é como nós vamos reduzir as emissões de gases de efeito estufa de uma maneira a não prejudicar a economia dos países, de uma maneira que seja internacionalmente justa e que os países paguem de acordo com suas responsabilidades.”
    Artaxo atualmente está na Universidade Harvard, nos EUA, trabalhando em cooperação internacional num experimento para medir os efeitos da interação entre as emissões atmosféricas da floresta amazônica e de uma grande cidade — no caso, Manaus –, o GoAmazon.
    Confira a seguir a entrevista completa com Paulo Artaxo.




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