INSIDE é um dos jogos mais BELOS que já experimentei. Uma experiência única.

O sucessor do excelente LIMBO traz, desde seu curioso e intrigante início, uma admiração por seu cenário singular junto ao pânico de uma criança perdida que foge de um ambiente feroz e angustiante.

Sem explicar o que acontece, INSIDE apenas causa profunda imersão visual, deixando nossa própria percepção definir o resto.

A excelente sonoplastia aliada a uma fotografia exuberante parece conseguir com maestria diferenciar momentos de extrema hostilidade a outros de pequenas sensações naturais de liberdade, por exemplo: apenas a presença de pintinhos em um milharal já são capazes de evocar um pingo de ingênua libertação em meio a todo cenário caótico e sombrio de repressão .

A propósito, INSIDE consegue transmitir uma atmosfera totalitária lembrando títulos como “1984” (obra de George Orwell) misturados com elementos de filmes, como o ótimo “Freaks” (1932)e até mesmo elementos de obras mais recentes como “A Pele que Habito” (thriller de 2011) e Ex-Machina (2014), sendo este último mais ligado a conceitos tecnológicos e visuais.

Eu poderia dizer que o primor deste game é a sua animação espetacular (sim, o personagem e todas suas ações são MUITO BEM animadas, chegando mesmo ao ápice em seu final); o som e trilha sonora formidáveis e indispensáveis ou a beleza do contraste de cores frias e quentes nos cenários, porém nada disso supera o enredo contado visualmente.

É praticamente impossível não sentir-se chocado no último ato, e uma mistura de sensações faz todo desfecho deste jogo ser arrasador e diferente de tudo que há por aí.

INSIDE consegue ser maior e mais poderoso ainda que LIMBO, transformando-se em uma experiência única e realmente INDISPENSÁVEL.

E, quando digo que apenas alguns pintinhos em um milharal foram capazes de evocar liberdade, um raio de sol em meio o todo cinza é capaz de refletir de forma belíssima esse sentimento.

Obra prima.